“A Rua Azul”
Oblíquos ou de topo,
Não há ponteiros
Nem números ou anos,
Não há refúgios
De cinzas ou isqueiros
De máscaras ou panos
Choros ou sorrisos falsos
De cheiros
A ricos enganos
De homens descalços.
Perdidos homens?
Não há! Chegam sozinhos
Ficam juntos, sorridentes
Já perguntam se vens
Sabem os caminhos
Procuram mais dormentes,
Das ruas sem cor,
Que perdem os espinhos
Quebram as correntes
No mar do amor
A Rua Azul…”
É isto que eu quero no futuro, a rua azul onde todos sabemos que tínhamos problemas mas juntos nesta rua eles desaparecem. Nós fazemo-los desaparecer. Não há necessidade de nos refugiarmos em computadores, bebidas, drogas, não temos que pensar em estudar para ter um bom emprego com dinheiro, não temos horários e regras para tudo o que fazemos (até coisas naturais como comer, dormir que deviam vir na hora em que as necessidades de cada um pedissem), não temos que tomar decisões a toda a hora, não temos que decidir já o futuro e trabalhar para que esse futuro seja seguro a nível financeiro, podemos viver um dia de cada vez e deixar-nos levar até ao presente de amanhã sem stress.
Na rua azul só sabemos RIR, RIR, RIR (…), e mais RIR. Curtir a Natureza, uma árvore azul e verde, com pássaros azuis, e muitas folhas, (algumas laranjas) todo o ano. Um sol sempre presente, um sol verde talvez. E é isto… Uma rua onde juntos rimos e desfrutamos da natureza, só! Porque só isto é saber viver…
Ter muitos animais, não ter carros, viajamos onde estivermos a pensar ir, e não precisamos de médicos. A nossa saúde mantém-se através do que as plantas desta rua nos dão, está no que as outras pessoas nos dão, está nos sorrisos e no amor, está em nós!...
E muito importante, na rua azul não há relógios…
Na verdade o mais importante e real, é que as pessoas fiquem unidas e tenham a percepção que somos todos iguais e que o resto são apenas circunstâncias da vida que calharam a cada um de nós e que podiam ter calhado a qualquer pessoa. Deste modo esperasse que as pessoas não se atraiçoem umas às outras nem ao planeta que temos e que podia ser azul (podíamos ter um planeta azul, e não apenas uma rua), mas que está a ser destruído e tem demasiadas cores, mas tem cada vez menos azul e verde.
Enquanto isso….
Todos temos problemas
Todos respiramos a custo
Comemos dilemas
Perdemos o gosto,
A confiança,
De escrever poemas
Com um rosto de liderança…
Com visão do desgosto
De liberdade refém
Suor e ganância,
Como escrever bem?
Até o peito inchado
Esconde a asa quebrada
Um olhar iluminado
Pelo pesado rímel
Está ferido pela espada
Que troca o carrossel
Anda em contra- volta
Escuta o pincel
E sente a revolta.
Todos temos um olhar vazio
Todos temos sombrias casas
Todos temos frio
Todos temos asas
Para esconder paredes
E voar outras ruas
Sem correntes e redes…
Juntos passamos pelos anos
Sem dar conta,
Dos erros,
Das quedas e enganos…
Então espero… E continuo, a estudar, a trabalhar, a refugiar-me e mascarar-me para um dia ter a independência, ter a coragem de ser corajosa, ter a ousadia de construir, de encontrar a Rua Azul.
E aí poderei dizer,
Rebentas os nós, as cordas…
Na paragem, a espera.
Acordas…
Juntos, a aliança supera.
Juntos voltamos
A ter cor e pintar
Um voo onde embarcamos
A preencher as ruas
A encher as almas nuas
De nós que rebentamos
E são agora telas
De boas paragens
Que pintamos
E é onde te revelas…
Às vezes cruzo-me com esta rua…
(Dedicado a Ana Reis que redescobriu comigo esta rua.)
Ana Isabel Vieira 17 anos